Recebemos esta mensagem do trema e julgamos por bem, em nome da Ordem Democrática, publicá-la, na íntegra, neste Brogue:
“Prezados,
Não venho aqui encher lingüiça nem esbanjar uma eloqüência inconseqüente. Estou tranqüilo quanto ao papel que venho desempenhando na sociedade, da qual tenho sido vítima com freqüência de ataques.
Não sou menino. Vivi e vi muito. Desde 43 que perambulo por estradas e ditongos da vida. Que o diga o U, este grande amigo a quem não me canso de garantir que tenha voz neste mundo de crescente exclusão.
Também o diga o Müller, outro grande defensor de minha carreira, bem como todo o nobre povo alemão, este sim um apreciador do chucrute, da música clássica e do legítimo trema germânico.
Ao ver decretada assim minha expatriação, penso nesse povo sem memória e sem afeto. Desterraram seu último e apaixonado imperador e agora me trocam por kas, dáblius e ipsilones representantes do imperialismo saxão. Sempre suspeitei que minha morte ou exílio estavam sendo há décadas tramadas por alguém.
Não sabia se pelos comunistas, pelos socialistas, pelos capitalistas ou pelos fãs de Marylin Manson. Agora eu sei. Foram os dáblius, esses vês pervertidos que sempre andam de mãos dadas, em plena luz do dia. Caracteres pederastas, esses dáblius. Pederastas e traidores. Quem me lê sabe se tem a mão ensangüentada.
Me espanta a hipocrisia destes mesmos abraçadores de árvores e defensores da ecologia e do seqüestro de carbono tirarem dessa forma o acento e o acalento dos pingüins. Agora eles têm de agüentar. Por um, por dez ou por cinqüenta anos. Até o fim de tudo. Verão, na pele, a falta que um trema faz, delinqüentes ortográficos, seres de índole eqüina.
Vou-me. Partirei de volta para o velho mundo, onde ainda há espaço para tremas, lamparinas e fados tristes. Saio desta vida para a ubiqüidade.”
Foi lançada durante o Blogcamp-RJ a edição especial da revista Feed-se, com o tema "Democracia". O momento não poderia ser mais oportuno, visto que as eleições se aproximam e temos vivido recentemente os altos e baixos do mais democrático de todos os meios de comunicação, a rede.
Leitura obrigatória, até porque é rápida e pra lá de prazerosa.
Esta edição tem, inclusive, a modesta contribuição deste que voz fala, com uma versão revista e ampliada de um post aqui do Brogue, sobre o pouco explorado poder da Gentileza na blogosfera.
A família de robôs do CIBT ganhou mais um membro. Este pequeno Wall-e tem uns 5 cm de altura. É um brinquedo mesmo, encontrado nas melhores lojas do ramo, mas o acabamento é de primeira, cheio de detalhes e movimentos. Ele até abre e fecha as mãos, enquanto você, ridículo, faz o áudio: "Eeeeeeeevaaaaaaa".
O Radiohead disparou hoje e-mail anunciando a liberação da faixa Reckoner, do álbum In Rainbows, para que todo mundo tente fazer seus remixes.
A parada é profissional. Você compra as faixas de áudio de cada instrumento via iTunes, mistura tudo e sobe pro site www.radioheadremix.com.
Mas o que impressiona mesmo são os números que eles divulgaram sobre a ação anterior, o remix da faixa Nude:
Visitantes únicos: 6,1 milhões Páginas vistas: 29 milhões Banda consumida: 10,6 terabytes (!!!) Remixes: 2,5 mil Votos: 461 mil Faixas escutadas: 1,7 milhão.
Não uso Macs. Minto. Usei um eMac por alguns meses assim que cheguei a meu emprego anterior, em 2001. O computador com cara de lancheira estava sobrando, fui lá e usei. Não era ruim. Também não era bom.
Uso PCs. Meu atual é um Sony Vaio. Quase uma categoria distinta, dado o peso da marca, o design e a qualidade. Meu primeiro PC foi um 286 com monitor de fósforo âmbar (só tinha duas cores, preto e um marrom-amarelado).
Nessa época, um amigo que tinha um Amiga (o incrível computador da Commodore) me sacaneava a todo momento. Também pudera. O Amiga tinha um processador de som incrível. Tocava MODs e até sintetizador de voz tinha. Editava vídeo como ninguém, tanto que era o xodó dos filmadores de casamento. O Amiga tinha cores. Muitas cores. Também tinha um sistema com interface gráfica, folders e multitarefa. O sistema, o Workbench, cabia num disquete de 800Kb.
O Amiga era mesmo fantástico. E eu com meu 286 que só fazia beep-beep, jamais imaginou reproduzir um vídeo e que rodava "Príncipe da Pérsia" em seu MS-DOS.
Eu sofri, mas resisti. Porque aquele era meu computador e não tinha dinheiro para outro. Porque sentia que aquilo ali ia vingar. Sei lá. Porque sabia que, mesmo sofrível, o PC era um salto em relação a meu MSX. Que era melhor que meu CP-400. Que dava de dez em meu MC-1000 da CCE.
Insisti. 286, 386SX, 486, Pentium, Pentium II, Pentium III e por aí vai. O Amiga era cool. O 286 era como passar crachá para entrar em casa.
Mas, hoje, qual a diferença entre Mac e PC? Além da coolzisse da Apple, o que os difere?
Quer saber? Tanto faz. Tanto faz se é um Mac ou se é um PC. O que importa é: o que você faz com ele?
Taí uma boa pauta para anúncios da MS: Mostrar coisas incríveis, cool criadas por PCs. No final, só uma assinatura simples: "Seu computador é só um computador. Cool é o que você faz com ele". Ou algo assim.
Foi show ontem o bate-papo com estudantes de publicidade (e uma de jornalismo) na UFF, em Niterói. Acabamos passando a versão completa da apresentação do Frogcampus e ainda deu para falar um pouco sobre o "casamento" sexo e mídias sociais.
Obrigado, galera, pela atenção e carinho. E obrigado Adilson Cabral, fera que transita suavemente entre séculos na Ciência Política e na Publicidade.
Como planejar sua estratégia em mídias sociais pensando em sexo?
Seguindo a série de dicas de mídias sociais para neófitos, uma breve apresentação sobre como escolher a estratégia ideal para sua marca/produto. Para ajudar, uma analogia com um assunto de grande interesse.
Um zilhão de coisas para fazer, o cansaço começa a apertar, os cronogramas se aproximam do limite. Aí o que é que a criatura faz? Abre o Photoshop e faz isso.
O surreal equívoco da Justiça, que tirou do ar o site errado numa tentativa de passar a régua no Twitter inteiro por causa de um perfil falso foi o estopim para uma rápida e poderosa mobilização da blogosfera. Isso prova o total despreparo da Justiça brasileira em lidar com o tema, assunto que foi exaustivamente debatido em diversos blogs ao longo de poucas horas. Da Raquel Recuero veio uma das melhores definições do que acontecia: “é como demolir a cidade porque pixaram um muro”.
Mais do que a bizarrice da situação, o que me chamou a atenção foi essa força e agilidade em “defender a cidade”. Mesma energia que conseguiu mais de 100 mil assinaturas à petição contra a lei de cibercrimes, conduzida pelo diligente Caribé. Uma agenda positiva. Uma agenda construtiva.
É disso que tenho sentido falta. Não estou falando em transformar blogs e twitters em um chatíssimo congresso do Partido Comunista. Estamos aqui para falar de bizarrices, de virais, mussumdays etc. A web é isso. Trabalho e diversão. Os dois ao mesmo tempo.
Mas vejo muita, mas muita energia sendo gasta em agendas negativas. Num prazer quase mórbido de apedrejar o trabalho alheio. Em apontar erros e meter dedos nas feridas de empresas, marcas, agências. Não precisa ser cordeirinho. Não precisa aceitar qualquer proposta caracu. Mas será que essa nossa arrogância disfarçada de “independência a qualquer custo” não pode nos levar a uma karma police? Vamos jogar os infiéis e compradores de posts na fogueira?
Porque a gente não faz como o Caribé e direciona toda essa energia pruma agenda positiva? Que trate de temas como meio-ambiente, como segurança, como educação. Que crie virais do bem. Deve ter um jeito de fazer isso sem abraçar árvores ou fazer passeata vestido de branco em Copacabana. Deve ter um jeito de agir sem cair no estereótipo da “classe média indignada”.
Vamos nessa? Vamos mostrar nossa força? Vamos melhorar o mundo (ou o Brasil, ou nossa cidade, ou nossa empresa) um clique por vez? Um post por vez? Um tweet por vez?
10 coisas para fazer se você virar uma partícula elementar do universo
O mundo pode acabar. Nesta quarta. Quando ligarem o LHC (Grande Colisor de Hádrons), na Suíça, duas coisas podem acontecer:
1) Partículas microscópicas vão girar, girar, girar, esbarrar umas nas outras, gritar “ai”, soltar uma fagulha e desaparecer. Os cientistas vão fotografar essas fagulhas e dizer: “Ei! Finalmente fotografei a fagulha!”.
Ou... 2) Partículas microscópicas vão girar, girar, girar, esbarrar umas nas outras, gritar “ai”, soltar uma partícula de anti-matéria e dar origem a um buraco negro. Os cientistas vão dizer “Puta merda!” e serão tragados pelo buraco negro. Depois, todos os queijos e relógios suíços serão tragados pelo buraco. Em seguida, todo o dinheiro do Maluf escorrerá (isso deve levar algum tempo). Daí para a Terra toda virar um grande buraco será apenas um pentelhésimo de segundo.
Mas nem tudo estará perdido (mentira, estará perdido sim). Você pode aproveitar esse reencontro consigo mesmo na forma de uma partícula elementar do universo primitivo de várias maneiras:
1) Pense em todas as contas que você tem a pagar. Sorria, elas não existem mais! 2) Pense no PSTU. E no PSOL. E no PT. No PPB. No DEM. No PSDB também. Pense no Lula. Sorria, eles não existem mais! 3) Você não reclamava de falta de espaço? Agora você tem literalmente um universo inteiro a seu dispor. 4) Chega de seguir a luz dos outros. Chegou sua hora de brilhar. Faça como uma boa partícula elementar, junte-se a outras (muitas outras) e vire um átomo de Hélio. Mais alguns milhões de Hélios e um pouco de sorte e... voilá! Você virou uma estrela! 5) Procure um cometa. Grude nele. Espere alguns milhões de anos até que ele caia em um planeta. Lembre-se dos quatro dias que você teve para jogar Spore e inicie a vida nesse lugar. 6) Repasse mentalmente as mil e tantas páginas de O Senhor dos Anéis, incluindo os apêndices. Você terá alguns bilhões de anos para relembrar cada diálogo entre Frodo e Sam até que algo minimamente interessante aconteça no espaço. 7) Dê um pulo na Lua e grude na bandeira americana. Se eles não te pedirem visto, é claro. 8) Ache um satélite que não tenha sido tragado pelo buraco negro e se instale nele. Comece a cantar “Escrito nas Estrelas” até que alguma forma avançada de vida se emputeça e venha acabar contigo. 9) Procure uma partícula elementar do universo do sexo oposto e pratique a criação de particulinhas elementares do universo. 10) Tente encontrar a partícula elementar do universo de quem teve a idéia de ligar o LHC e cubra ela de porrada.
Bom fim-de-mundo para vocês! Obrigado pela preferência.
A passagem pela Jedicon desse ano foi rápida porque dali segui direto para o Descolagem. Os dois eventos aconteceram na Tijuca. Um reuniu nerds fãs de Star Wars. Outro, nerds blogueiros, twitteiros e ligados em tecnologia.
Usando o poder da Força para não torrar todo meu dinheiro nas barraquinhas da Jedicon (a única tentação consumista no Descolagem era o cachorro-quente Geneal), me permiti três pequenos mimos:
- Uma miniatura de uma X-Wing em chumbo (excelente trabalho artesanal. No ano passado já tinha comprado um R2-D2 da mesma dupla de artesãos); - Uma camiseta de baby Darth Vader; - Um R2-D2 pra coleção, que ninguém é de ferro.
O único ponto a lamentar foi ter perdido o show do "Stormtroopers do Sucesso".
Eis que me deparo com um de meus jogos favoritos de Odissey (sim: Odissey, Fluminense, Pepsi e Bob's. Nunca fui com a maioria): "Duelo no Velho Oeste".
A mecânica era simples como a de todos os jogos da época: atire no seu adversário e torça para sua bala não bater numa das árvores. Caso contrário, ela vai começar a ricochetear e pode acabar matando você mesmo.
O jogo era garantia de horas de risadas com assassinatos bem-bolados e suicídios ridículos. Um clássico injustamente esquecido pelo tempo.