O surreal equívoco da Justiça, que tirou do ar o site errado numa tentativa de passar a régua no Twitter inteiro por causa de um perfil falso foi o estopim para uma rápida e poderosa mobilização da blogosfera. Isso prova o total despreparo da Justiça brasileira em lidar com o tema, assunto que foi exaustivamente debatido em diversos blogs ao longo de poucas horas. Da Raquel Recuero veio uma das melhores definições do que acontecia: “é como demolir a cidade porque pixaram um muro”.
Mais do que a bizarrice da situação, o que me chamou a atenção foi essa força e agilidade em “defender a cidade”. Mesma energia que conseguiu mais de 100 mil assinaturas à petição contra a lei de cibercrimes, conduzida pelo diligente Caribé. Uma agenda positiva. Uma agenda construtiva.
É disso que tenho sentido falta. Não estou falando em transformar blogs e twitters em um chatíssimo congresso do Partido Comunista. Estamos aqui para falar de bizarrices, de virais, mussumdays etc. A web é isso. Trabalho e diversão. Os dois ao mesmo tempo.
Mas vejo muita, mas muita energia sendo gasta em agendas negativas. Num prazer quase mórbido de apedrejar o trabalho alheio. Em apontar erros e meter dedos nas feridas de empresas, marcas, agências. Não precisa ser cordeirinho. Não precisa aceitar qualquer proposta caracu. Mas será que essa nossa arrogância disfarçada de “independência a qualquer custo” não pode nos levar a uma karma police? Vamos jogar os infiéis e compradores de posts na fogueira?
Porque a gente não faz como o Caribé e direciona toda essa energia pruma agenda positiva? Que trate de temas como meio-ambiente, como segurança, como educação. Que crie virais do bem. Deve ter um jeito de fazer isso sem abraçar árvores ou fazer passeata vestido de branco em Copacabana. Deve ter um jeito de agir sem cair no estereótipo da “classe média indignada”.
Vamos nessa? Vamos mostrar nossa força? Vamos melhorar o mundo (ou o Brasil, ou nossa cidade, ou nossa empresa) um clique por vez? Um post por vez? Um tweet por vez?Marcadores: cotidiano, filosofia, internet, trabalho