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11 outubro, 2007
Paguei dez real no novo Radiohead
Olhos rasos d’água, acabo de ouvir In Rainbows, sétimo álbum do Radiohead. Ouço em MP3, desbloqueado, que baixei na Internet. O link do arquivo zip? Quem me passou foi a própria banda, por e-mail. Ouço sem medo do Capitão Nascimento bater na minha casa. Paguei 2,5 libras (uns R$ 10) pelo download.
Para quem não sabe (sei lá, muita gente vive em Marte esses dias), o Radiohead lançou ontem (10/10) seu novo álbum de uma maneira revolucionária: distribuição pela internet, sem DRM. O preço? Você decide. Um campo em branco pergunta ao usuário quanto ele deseja pagar pelo álbum (grátis é uma opção). Eu quis pagar. Primeiro, porque fiz duas juras na vida: “Nunca mais passarei fome novamente” (mentira, fiz não) e “Jamais piratearei um Radiohead, um Legião Urbana ou um Los Hermanos” (essa eu fiz mesmo). Segundo, porque acho que R$ 10 é preço mais do que justo por um disco. Terceiro, porque preciso retribuir esses 11 anos de felicidade e de ininterruptas e incontáveis reproduções de Ok Computer & cia.
O álbum? Curtinho, 10 faixas, 42 minutos, maravilhoso. Radiohead. Menos hermético e eletrônico do que Kid A e Amnesiac (brilhantes mas que você leva um tempão para digerir), com faixas que a banda vem executando ao vivo há algum tempo. As letras não deu para sacar ainda e aí a gente começa a ver a falta que faz uma capinha, um encarte, um “deitar no sofá e ficar ouvindo o som lendo os encartes”. Mas nada que Google não resolva.
O disco saiu ontem. O hit até agora é a faixa 3, Nude, com quase 9 mil ouvintes no Last.fm (http://www.last.fm/music/Radiohead/In+Rainbows). Obrigado Radiohead. Quer o seu? Compra (ou só baixa) aqui: www.radiohead.comMarcadores: arte, internet, música
06 outubro, 2007
Capas transadas para notebooks
As boas idéias flanam por aí e, geralmente, são ridiculamente simples. Por exemplo, a bela idéia de se criar capas transadas para laptops! Sim! Carregar seu notebook numa maleta é implorar para ser assaltado. Levá-lo solto na mochila é um passaporte para arranhões e tufos de poeira dentro da porta USB... E agora? As capas de neoprene são extremamente práticas, mas todas oscilam entre o preto básico e o chumbo discreto.
Como ser uma pessoa moderna sem perder o estilo? Simples! Com as capas Nimin (www.nimin.com.br), idéia de uma esperta turma de São Paulo. São modelos de nomes sugestivos como "Ovo", "Te quiero fucsia", "céu de estrelas" e "Consuelo Celestial" (que se parece com a capa que Frida Kahlo teria se tivesse tido um notebook, mas infelizmente esgotada).
Os preços são mais salgados que os de uma capa normal (em torno de R$ 60), mas estilo tem seu preço, certo?
Fica a dica e o aviso de que não ganhei um único centavo por este post (céu de estrelas tamanho 13'' widescreen, por favor... :-) ).Marcadores: cotidiano, internet, trabalho
03 outubro, 2007
A globalização me assusta
Acabou de chegar um press-release intitulado: “Bailarina Nipônica estréia com requebra de quadris nas Noites do Harém”.
É isso mesmo. A nota, acompanhada de foto 3 x 4 para comprovar a veracidade das informações, fala sobre uma japonesa (ou descendente, sei lá) chamada Suellem (!), que exibe dança do ventre em uma casa de chá egípcia em São Paulo. É de dar nó na ONU e rende umas três seqüências para o filme Babel.
É quase tão bizarro quanto se deparar com um dinamarquês chamado João recitando poemas turcos na Etiópia.
Além de se enquadrar na categoria “mais-informação-do-que-eu-preciso-para-viver”, é a prova de que... de que... bem, deve provar alguma coisa...Marcadores: cotidiano, humor
01 outubro, 2007
Como ser um intelectual sem precisar usar a cabeça
Quem pôde prestigiar ao menos um dos eventos do Festival do Rio percebeu que para ser cult não basta conhecer de cor a filmografia de Bruñuel. É preciso ter estilo. Então, para ajudar aqueles que querem ser bem-recebidos nos Espaço Unibanco da vida sem ter de ver horas de filmes húngaros sem legenda, o CIBT (Cassano Institute of Bizarre Technologies) mapeou centenas de cinéfilos e chegou ao figurino perfeito para saraus literários e outros encontros-cabeça:
Nos pés: tênis All-star. Quanto mais “Bamba ou Conga-style” melhor.
Calça: jeans, desbotada e desfiada.
Cinto: qualquer um desde que não combine com nenhuma outra peça. Verde cai sempre bem.
Camiseta: de malha, limpa. Não pode combinar nem com o tênis, nem com o cinto. Pode ter algum dizer espirituoso, do tipo “Heisenberg pode estar aqui”.
Casaco: se estiver frio (ou se pelo menos não estiver torrando) um casaquinho sobre o ombro lhe dará uns 10 pontos de QI.
Bolsa: Estilo universitário, trespassada (cuidado com camisetas brancas, ou podem achar que você está com o uniforme do Vasco, algo totalmente não-intelectual). Se for a bolsa do “1o festival de cinema de guerrilha de Botucatu, 1987” você sai de lá convidado para dar palestras.
Cuidados faciais: Não faça a barba nem penteie o cabelo no dia do evento. Se quiser, faça metade da barba uns três dias antes, para ficar aquela coisa despretensiosamente esculhambada.
Pronto. Vista-se para matar e seja reconhecido como um verdadeiro gênio da 7a arte, um mestre da filosofia e um profundo conhecedor da literatura da extinta Iugoslávia.Marcadores: arte, cinema, cotidiano, humor
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