Acontece com quase todo mundo. Um dia, de repente, você se vê no meio de um show do Roberto Carlos.
Numa escala dos espetáculos que já pude assistir, fica alguns milhões de anos-luz abaixo do R.E.M. no Rock in Rio e da Legião Urbana no Metropolitan, mas está bem acima de uma palestra-show do Augusto Cury (isso existe, acredite) e de um pocket-show do Jota Quest.
Assistir a um show de Roberto Carlos é como sentar na mesma mesa de bar com um grupo de controladores de vôo ou de operadores da bolsa. Você presenciará um diálogo incrivelmente divertido, desde que você entenda as quinhentas gírias, referências e jargões restritos àquele grupo.
A seqüência das músicas, as balzaquianas histéricas, as declarações de amor de meninas, senhoras, vovós e homens (!!!), o final sempre com “Jesus Cristo” e o arremesso de rosas... é um mais do mesmo que faz todo sentido para aquele grupo fiel. E, justiça seja feita, algumas canções de fato merecem constar em nosso repertório musical coletivo.
Mas um mistério permanece. Se os arranjos são bastante convencionais, se as músicas são as mesmas há décadas, se os músicos são os mesmos há décadas, se até a senhora de vestido de oncinha na mesa do lado subiria ao palco e tocaria as canções...
Por que a banda do Roberto Carlos precisa de um maestro!?!?!?Marcadores: cotidiano, música