|
|
23 janeiro, 2007
Babel: o que nos une é a dor e a Coca-Cola
Segundo a Bíblia, no início dos tempos todo mundo falava a mesma língua. Se você dissesse “coé, brod, tá ligado na parada?”, um japonês responderia de bate-pronto: “sóóó...”.
Mas como o Homem não presta e começou a arrumar quizumba, e para evitar a falência prematura dos cursos de idiomas que seriam criados milênios depois, Deus inventou os dialetos e línguas para nos punir. É por isso que, hoje, seu filho fala com você e você fica olhando desesperado para a mãe dele, esperando por uma tradução simultânea.
Línguas, culturas, sociedades... Poderíamos ser um só, mas somos muitos só para a gente ver o que é bom para tosse.
É sobre os efeitos deste castigo que fala Babel, filme ganhador do Globo de Ouro, do mexicano Alejandro González Iñárritu. Fala de intolerância, de inconseqüência...
Numa espécie de “Efeito Borboleta” anti-globalização, Alejandro e seu parceiro Guillermo Arriaga mostram que o que nos une é a dor e a Coca-Cola. E talvez a inconseqüência sobre nossos atos. Dor, preconceito, inconseqüência e Coca-Cola (Sprite, Fanta, Coca Light...) unem Estados Unidos, México, Marrocos e Japão.
Nesses quatro países, histórias que se passam em idiomas, cenários e até tempos diferentes (uma ligação atendida no começo do filme só é feita pelo outro personagem no final) se amarram em nós indiscutíveis, em paralelos de causa-efeito às vezes até artificiais demais. Mas os escorregões na trama são facilmente superados pela bela fotografia, direção de câmera e pelas atuações impecáveis de Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, e dos demais atores iniciantes, menos famosos mas igualmente convincentes.Marcadores: cinema, filosofia
|