Paul Manger é um neurologista sul-africano.
Segundo reportagem na edição de 18 de agosto de O Globo, ele chegou a uma conclusão assustadora: golfinhos são estúpidos. Tapados. Burros. Ignorantes. Toscos. Imbecis. Mobral total. Zé arruelas. Ou seja, mamíferos aquáticos desprovidos de qualquer intelecto.
Tal conclusão desafia o senso-comum de que a família de Flipper é, na verdade, super-hiper-inteligente. Até o gênio Douglas Adams baseou sua saga O Guia do Mochileiro das Galáxias no fato de golfinhos serem inteligentemente sabidos pra caramba.
Paul Manger acha que golfinhos são estúpidos porque eles não pulam de suas piscinas acrobáticas em Miami. E também porque seu cérebro tem mais enchimento do que neurônios. Mas isso é detalhe.
Então venho aqui desmascarar esse impostor de Paul Manger e provar que ele está errado. Seus argumentos são totalmente desprovidos de sentido. Parecem idéia de golfinho, digo, jumento. Pois vejamos:
1 – O homem é considerado um animal inteligente. Logo, deve agir de forma radicalmente diferentes de golfinhos.
2 – Mesmo assim, milhões de imigrantes ilegais comeriam peixe cru todo dia justamente para poder entrar na piscina dos golfinhos de Miami, morar lá e arrumar um emprego como taxista. Ou seja: quem pode condenar os golfinhos por não tentarem fugir da piscina se humanos matariam a Deborah Secco para estar lá?
3 – Paul Manger diz que qualquer animal inteligente, se ficar dentro de uma caixa, tentará escalar suas paredes para subir. Ora, quem já viu humanos tentando escalar a parede de elevadores? Ou pulando da janela de seus empregos enfadonhos? (ok, ok... esse item acontece vez em quando).
4 – E quantos humanos que você conhece conseguiriam nadar em círculos em alta velocidade, dar saltos acrobáticos por dentro de bambolês e ainda correr de costas sobre a água batendo palmas e comendo peixes crus?
5 – Por fim, a suprema injustiça. Imbecis mesmo, toscos, mobral, ignorantes e burros são, para mim, os cavalos. Ser mais subserviente não existe. Eles são irritantes. Você amarra um cavalo de uns 200 quilos num vareto e ele vai ficar a noite toda ali, na chuva, ou de dia sob um sol inclemente. Nem uma sombra o eqüino procura. Ele não argumenta, não questiona.
Cavalos nunca nadariam de costas sobre a água batendo palmas e comendo peixes crus. Logo, deixem os golfinhos em paz! Burro mesmo é o cavalo.Marcadores: cotidiano, humor