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15 fevereiro, 2006
Nos trilhos
Conta pra pagar Conta pra pagar Conta pra pagar Conta pra pagar O trem da vida tem que passar Conta pra pagar Conta pra pagar Conta pra pagar Conta pra pagar
pssssssssssssss...
parou na estação Embarcou salário Respirou.
Andou Conta pra pagar Conta pra pagar Conta pra pagar Conta pra pagar É o trem da vida Conta pra pagar Conta pra pagar Conta pra pagar Conta pra pagar Paga pra contar Com um minuto de sossego
Psssssssssssssss...
Parou na estação Brinda o ano novo Comemora a Seleção E a vida volta pros trilhos Conta pra pagar Conta pra pagar Conta pra pagar Conta pra pagar Uííííííííííííí.... Sai da frente que a vida vai passar
10 fevereiro, 2006
Foi bom para você?
Repare só. Nunca o tempo andou tão rápido. Nenhuma geração na história deste pequeno pedaço de rocha perdido numa galáxia com nome de leite de caixinha testemunhou tantos fatos marcantes ao mesmo tempo. Só as últimas duas décadas do século XX rendem mais páginas em livros de história do que séculos inteiros do passado. Foram saltos, rupturas, evoluções e revoluções na cultura, no conhecimento humano, na ciência, na guerra, nas doenças (e nas curas), nas tragédias naturais.
Passamos a entender que este é um planeta que pode morrer. Mas descobrimos isso somente quando ele parece estar mesmo morrendo. Descobrimos que não conseguimos viver sem guerras – mesmo quando isso só serve para nos matar. Percebemos que podemos fazer grandes coisas. Só para a natureza nos jogar uma tsunami de água fria na cabeça. E nos resta esperar o grande terremoto, ou o dia em que, cansada de tanta falta de vergonha na cara, a natureza vai desistir de dar um país tão tranqüilo a um povo que às vezes falta por merecer um Brasil fértil e tectonicamente pacato. Já temos furacões! Que surja o Godzilla que vive sob a Baía de Guanabara.
A longa introdução é para apresentar minha tese. Quem escreve ou ao menos assiste telenovelas sabe que é comum que, quando se vai chegando ao fim da história, seja preciso dar uma acelerada no ritmo, fechar as pontas que estão abertas e encaminhar todos os personagens da trama para aquela mega-festa de casamento coletivo onde, após o “FIM”, o elenco pode erguer taças de champanhe para as câmeras e dar adeus aos telespectadores. É um clímax, em que a coisa toda se acelera quanto mais ele se aproxima.
Pois me parece que vivemos o clímax do mundo. Coisa de “Últimos capítulos”. Como meros personagens nessa trama global (sem trocadilho com a Rede Globo, por favor), desse folhetim de enredo caótico, nada nos resta além de ajudar o autor e fechar todas as pontas abertas, punir todos os vilões (ou fazê-los dar uma banana para o povo dentro de um avião), encontrarmos nossa mocinha ou galã e rumarmos para o grande casamento coletivo.
E que ninguém se assuste quando as ondas fizerem da Urca uma Atlântida, quando o Grande Condor descer dos Andes, seguido por um Quetzalcoatl asteca e vingar nossa origem indígena. Ninguém se assuste quando a intolerância, a ganância e o fanatismo religioso não fizerem sentido – fizerem vítimas. Faz parte do Deux ex Machina, da mão de Deus de que autores menos habilidosos se valem para dar fim àqueles personagens ou situações para os quais faltou imaginação para criar um desfecho coerente.
Se um dia você se deparar com um pôr-do-sol cinematográfico, um trem lotado rumando para o horizonte, pássaros em revoada e um estranho letreiro branco subindo do horizonte, não se assuste. Erga sua taça de champanhe e dê adeus ao Grande Telespectador. No fim, tudo deve ter valido a pena. Foram 4,5 bilhões de anos no ar. E um final que não pode ser feliz nem triste. Porque ele é apenas fim. E fins não precisam de adjetivos. Fins precisam apenas de um começo.
09 fevereiro, 2006
Dicas para sobreviver a uma enchente
Verão, tempo de aguaceiros, temporais, pés-d`água, trombas d`água, elefantes inteiros d`água. Portanto, fique atento a estas imperdíveis e impermeáveis dicas.
1) Entre na sex shop mais próxima. Compre uma boneca inflável e um vibrador. Monte em sua boneca inflável e deixe o vibrador impulsionar seu sexy-ski, digo, jet-ski pelas ruas alagadas.

2) Suba em uma daquelas cadeirinhas em postes de iluminação onde, provavelmente, os homens da Light ou da Eletropaulo fazem seus ninhos. Aproveite e faça amizade com os pombos.
3) Leve sempre consigo a trilogia completa de O Senhor dos Anéis. Em caso de estar num ônibus durante um aguaceiro, comece pela folha de rosto e leia até os apêndices. Não se esqueça de anotar o alfabeto élfico numa folha.
4) Se a chuva persistir, traduza o primeiro livro para o élfico.
5) Se continuar chovendo, peça emprestada a saga de Harry Potter ao passageiro do lado. Traduza tudo para o élfico. Cuidado com os tempos verbais
6) Não leve guarda-chuva. Eles nunca funcionam quando chove de verdade. Dê preferência para roupas impermeáveis. Máscaras e cilindros de oxigênio são uma boa idéia.
7) Não lute contra a água. Sinta-se em casa. Imagine que você é um ser aquático. Cantarole Fagner alegremente (Quem dera ser um peixe, para em seu límpido aquário...). Veja como sua barbatana faz bolhas enquanto se move.
8) Feche seu guarda-chuva. Procure um poste. Gire ao redor dele cantando Singing in the rain. Depois observe a cara de tacho dos transeuntes procurando uma câmera escondida em algum lugar.
9) Comece a gritar que seu iPod Vídeo 60 Gb caiu no meio de uma rua sob um metro de água de cor duvidosa. Depois se divirta vendo jovens consumistas mergulharem em vão em busca do troféu inexistente.
10) Ande com uma caixa de sabão em pó na mochila. Não vai ajudar em nada quando você tiver que lutar contra as ondas no meio da rua, mas o efeito visual será in-crí-vel. Aproveite para brincar de esquadrilha da fumaça deixando um rastro de espuma enquanto corre pela Praça da Bandeira.
08 fevereiro, 2006
Quem fotografa não escreve 1 - Londres
Na falta de tempo para escrever algo mais elaborado, resolvi compartilhar com o mundo algumas (frustradas, provavelmente) tentativas minhas no campo da fotografia. Mas calma. Pouparei os leitores das intimidades de minha família. Publicarei apenas paisagens.

Pôr do sol sobre a Casa do Parlamento e o Big Ben, em Londres (nov/ 2005)

Marble Arch e tradicional cabine telefônica no Hyde Park, em Londres (nov/ 2005)

Pedestres passeiam pelo St. Paul Park, em Londres (nov/ 2005)
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