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21 janeiro, 2006
Microcontos de verão 2: Universo paralelo
O cientista abriu exausto e desanimado a porta de sua casa. Ao entrar, levou um susto. Aquela casa não era a dele. Havia retratos seus sobre a escrivaninha que nunca havia visto. Da cozinha veio uma mulher que não era a sua, e pôde ver, de relance, filhos que não eram os seus brincando sobre o tapete no hall que dá para quartos que ele desconhecia.
Olhou pela janela e viu que o sol era mais avermelhado do que aquele que havia estudado até alguns minutos atrás. Mirou o céu e notou algo diferente no azul. Pensou: “Que droga! Você se descuida um minuto e fica preso pelo resto da vida num universo paralelo!”
Sua nova e bela esposa veio e o beijou. Sentiu um arrepio pela espinha que nunca havia testemunhado. Sorriu quando percebeu que sua nova sala tinha um imponente piano. E que na garagem havia um carro espetacular. Então foi à cozinha e beijou novamente, com ardor, sua esposa do universo paralelo. Pediu a ela uma laranja e uma faca. Então foi para a varanda de casa esperar seu eu paralelo chegar do trabalho, para explicar a situação a ele e matá-lo.
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