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27 abril, 2005
Problema de Ego
Tem conto novo na área! E é uma bem-humorada ficção científica. No Rio de Janeiro do futuro, o que acontece quando um funcionário público com complexo de inferioridade, que acha que está sendo traído pela mulher, compra uma inteligência artificial robótica, ou melhor uma Extensão Global de Objeto - EGO? Guardadas as devidas (e enooormes proporções), é o que seria o casamento de Isaac Asimov com Nelson Rodrigues. Por favor, confiram: Problema de Ego. Uma versão em formato PDF está aqui.
18 abril, 2005
A volta da convergência
Semana passada a Rede Globo de Televisão anunciou uma parceria com a norte-americana Intel para tornar seu conteúdo realmente convergente. Um exemplo do novo posicionamento é a migração do Globo Media Center - hoje disponível no portal Globo.com - para celulares. A novidade, tão bacana como com alto grau de ser mais um vaporware corporativo, aquelas mega-alianças que não vão a lugar algum, me fez lembrar quanto tempo levamos entre as primeiras idéias e as pioneiras aplicações reais da convergência de conteúdos e da divergência de mídias. Isto é, termos um conteúdo só disponível de formas diferentes em dispositivos diferentes. Essa capacidade de mutação do conteúdo será crucial se quisermos ter uma TV convergindo para outros meios. Imagine a migração pura e simples do sinal de um jogo de futebol para a pequenina tela de um celular? É por isso que aqueles que trabalham sério com a convergência buscam recriar, ou ao menos reeditar, o conteúdo para que ele funcione bem nos terminais a que se destinam. O mais legal foi ver que todo esse assunto tem tudo a ver com um artigo que escrevi em 2001, que inaugurou este site e que, guardadas as devidas proporções, continua atual. E merece uma leitura, apesar de grandalhão.
14 abril, 2005
Meu clone é hipocondríaco
Tem um outro eu andando por aí. Acho que ele mora em São João de Meriti. E também acho que é hipocondríaco, porque foi três vezes à farmácia em uma semana. Também deve ter uma família grande. Foram oito compras em supermercados no mesmo período. Mas nem tudo é ruim na vida de meu clone. Ele tem carro, e pôde abastecê-lo duas vezes entre as idas e vindas aos mercados. Descobri que ele existia por carta. Não teve ninguém da produção do Fantástico ou do Domingo Legal acompanhando. Foi pela fatura do cartão de crédito que soube da existência desse outro eu, consumista e hipocondríaco. Nada contra um outro Cassano andando pelo país, fora o desequilíbrio ecológico que dois eus podem causar perambulando mundo afora. O único problema é que ele, talvez por engano, fez todas as compras no meu cartão de crédito. Acho bacana dividir as coisas, especialmente se formos dividi-las com nós mesmos. Mas bem que ele poderia ter pedido, ou ao menos se apresentado. “Oi. Eu sou você. Me empresta seu cartão de crédito?” Coisas da tecnologia, que às vezes funciona como analgésico. Clonaram meu inclonável cartão com chip e, assim, fui assaltado sem sentir nada, sem sustos, sem constrangimentos. Não é ótimo viver num mundo moderno e civilizado?
11 abril, 2005
Réquiem prematuro
Que palavras teus lábios guardam E teus olhos traidores exalam Que réquiem guardas para ti Que pretendes dizer ao partir?
O que dizer na hora do adeus? Quando partir, o que dizer a Deus? Diga o que há para ser dito Antes que seja tarde. Antes que chegue a tarde.
Que notas tocará tua sinfonia? Que versos ilustrarão teu mármore? Que palavras sussurrarão sobre teu cedro Que desconhecidos seguirão teu féretro?
Que palavras esconde em teu peito? Quantos beijos trancafia em teu peito? Quantas batidas ecoam em vão em teu peito? Quantas vezes ainda arfará teu peito?
O que dizer na hora do adeus? Quando partir, o que dizer a Deus? O que é escondido e se revelará? O que sempre dizes, e negará?
O que arrependerá por não ter dito? O que não fizeste, e deu por perdido? Em quantos planos contaste com a sorte? Quantos amanhãs sepultaste com a morte?
O que dizer na hora do adeus? Quando partir, o que dizer a Deus? O que dizer na hora do adeus? Quando partir, o que dizer a Deus?
09 abril, 2005
Mary Ann enfrenta Godzilla
Essa é realmente velha, recém-descoberta numa troca de computador. O pequeno vídeo foi feito na época do extinto Canal Web, talvez em 2001, para testar um novo produto: um kit da Lego que, além dos bonequinhos, trazia uma webcam, um software de edição de vídeo e um manual de cinema assinado pelo Spielberg. Caro como uma produção de Hollywood, o brinquedo da Lego era muito, muito bacana. Tanto que, numa tarde de sábado, nasceu essa tosca animação.
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