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12 junho, 2005
Os segredos do Universo num posto de gasolina
E não é que eles estavam lá, entre a Playboy do mês e as notícias de domingo impressas no sábado à tarde? Nunca iria imaginar que O universo na casca de uma noz, de Stephen Hawking, fosse parar numa loja de conveniência de posto de gasolina.
Será que questões científicas-filosóficas entraram no rol das necessidades urgentes? Imagino a cena: – Querido. Você vai parar para abastecer? – Vou sim. Está quase na reserva. – Então aproveita e compra o jornal pra mim. A Mariana quer um lanche e o Pedrinho pediu pra ver se lá tem um modelo para a estrutura do Universo em 11 dimensões enroscadas em supercordas, tá?
A necessidade de explicações, quando tudo parece cada vez mais sem sentido, é cada vez mais urgente. Afinal, vivemos na sociedade fast food. Que a salvação e a resposta para todas as perguntas cheguem em menos de 30 minutos, ou a entrega sai de graça.
Logo, a felicidade chegará no dia em que todo motoboy for um padre ou um físico teórico. Ou ambos. Ou vice-versa.
Enquanto nem a física nem a religião respondem de fato a nossas perguntas e aos questionamentos mais intrigantes, é um brilhante escritor e comediante inglês (morto, como todas as pessoas brilhantes), que pode nos apontar um rumo. Um tema central no sensacional, incrível e hiperespacial Guia do mochileiro das galáxias é que a gente simplesmente não sabe fazer as perguntas corretas. As respostas estão todas à nossa volta, mas não temos a capacidade, sequer, de indagar a coisa certa.
Chega de procurar respostas, mesmo que em postos de gasolina. Antes, o melhor é refletirmos: afinal, qual é a grande pergunta?
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