Brogue do Cassano
 

28 março, 2005  

Cem coisas que um nerd deve fazer antes de morrer

Acabei de ler um livreto publicado lá fora pela NewScientist (http://www.newscientist.com). É o divertidíssimo 100 coisas para se fazer antes de morrer (e algumas para serem feitas depois disso) (100 things to do before you die [plus a few to do afterwards]). Ainda não traduzido no Brasil, o livro é uma divertidíssima enciclopédia das coisas mais bizarras que um nerd pode fazer em vida (ou depois).

Quer exemplos? Você pode remar ou nadar num lago bioluminescente, em que microorganismos brilham no escuro quando movimentados. O resultado é que você passa a ter rastros como um cometa, ou uma fada Sininho. Tal lago existe, no Caribe.

Outra sugestão é uma espécie de prova de que nós fazemos parte da natureza, mesmo com todos os indícios em contrário. O livro sugere que você faça, anh, err, caquinha no deserto e veja os besouros gigantes empurrando avidamente seu torpedo com as patinhas. Para eles, sua caca é garantia de comida farta por um tempão.

A lista é enorme (são 100 itens, afinal). O mais divertido é a forma como os desafios são colocados, prova de que é possível abordar temas bizarramente complexos da ciência de uma forma hilariante e, ao mesmo tempo, correta. Há até experimentos caseiros, como respirar gás hélio e cantar com voz de Mickey Mouse, preparar um sorvete com hidrogênio líquido (receita incluída) ou separar seu próprio DNA com ingredientes comuns em qualquer cozinha. É imperdível. Fica o toque às editoras brasileiras.



20 março, 2005  

Por que não criamos um banco open source?

Basta pôr a cabeça para fora de nossas janelas para percebermos que estamos cercados de instituições falidas. O comunismo nunca veio e já foi. Nosso Governo e nosso modelo republicano constitucional foram milimetricamente projetados para nunca, jamais, funcionar direito. O capitalismo está aí, firme e forte nos drive-thrus piscantes e nas crianças cheirando cola. As ONGs sofrem, em geral, de uma brutal miopia. Só enxergam o que querem, ou se afundam numa utopia disfuncional. Só uma coisa parece funcionar, pelo menos para quem, como eu, acompanha de perto tanto o mundo dos flanelinhas nas calçadas como o universo virtual da internet: a criação colaborativa. O Wikimundo.

A Wikipedia, enciclopédia aberta em que qualquer um pode alterar ou inserir conteúdo e que qualquer um pode consultar e reproduzir, é apenas um dos mais recentes exemplos de um capitalismo sem fins lucrativos. Um capitalismo colaborativo. Desde seu nascimento, a World Wide Web tem dependido tanto dos bilhões de dólares que escoam pelas bolsas de valores como do esforço de abnegados visionários que criam as coisas não (só) pensando em ficar rico, mas em compartilhar coisas legais. Em permitir que o mundo (afinal, SEU mundo) seja melhor. Mais simples. Mais rápido. Mais bonitinho. Mais cool.

Nenhum desses grupos – da força-tarefa por trás do DIVx, o equivalente ao MP3 para filmes e vídeos, aos pingüins fanáticos do Linux – abre mão das mecânicas capitalistas. Todos têm uma paixão inata por tecnologia e pelas maravilhas da grande indústria. Todos usam marketing, e, à medida em que se profissionalizam, acabam por constituir empresas praticamente comuns.

Neste ponto, muitos são cooptados pela máxima perversa do “o objetivo é o lucro”, ou pela raiz-de-muitos-males do “retorno máximo para o acionista”. Mas nem sempre é assim. E nem precisa ser. É possível obter o lucro sem explorar o próximo. É possível gerar riqueza e distribuí-la. É possível que esse “acionista” seja a gente.

Imagine um Wikibanco. Para todos os efeitos, um banco comum. Tem produtos, serviços, tecnologia, recolhe o dinheiro de seus correntistas e o aplica em empresas, manipula em títulos, mercados. Enfim, um banco. Digamos que, como todo banco nesse País, ele dê, sei lá, R$ 1 bilhão de lucro no final do ano. O que fazer com esse dinheiro? Lembre-se que, como falamos de lucro, todos aqueles que trabalham na operação já receberam seus (justos) salários. Não estou propondo filantropia aqui. Trabalhou, ganhou.

E aí? Um banco normal reinvestiria parte dessa bolada e outra parte seria embolsada por seus acionistas (em geral, uma família trilhardária e centenas de pequenos investidores). Mas poderia ser diferente. E se essa grana toda (fora o reinvestimento) fosse toda distribuída a seus milhares de correntistas? Teríamos aí a figura do correntista-acionista. E nada mais justo! É o dinheiro dos correntistas que faz o banco. Com esse retorno acabaríamos chegando, por um equilíbrio natural, a valores justos de tarifas, serviços etc. Um banco do bem.

Será que ele funcionaria? Será que a ânsia colaborativa dos correntistas-acionistas permitiria que ele fosse lucrativo? Será que os administradores (eleitos ou auto-impostos como o pai da Wikipedia) resistiriam à tentação de embolsar algum dindim a mais? Só tentando.

É possível ser ético. É possível fazer o bem. A gente só não está acostumado a isso. Mas se dá para fazer até um banco que gera e distribui riqueza, que seja eficiente (mais uma vez. Não proponho caridade. Não é o Banco da Providência. O ser Humano tem um DNA complicado demais pra viver de esmola). Se até um banco pode ser do bem, todo o resto é possível.

É só fazer. Chega de cooperativas de catadores de conchas. A gente pode ir mais longe. Alguém se habilita? A idéia é open source, isto é, livre para quem quiser tocar. E fazer o mundo um pouco melhor. E um pouco mais cool.



16 março, 2005  

Questionamentos paranóicos sobre o universo e a realidade

Ando lendo William Gibson e revendo a trilogia Matrix. Daí começam a surgir vários questionamentos filosóficos/paranóicos. Por exemplo:

E se o mundo for realmente uma simulação de computador? Um programa de computador?

E se o mundo for um programa da Microsoft?
Talvez por isso haja morte. A gente não morre. Dá pau.
"Elginovaldo morreu assim ó, de repente." "Cruz credo! Morreu de quê?" "Bug súbito."

E se o universo for um golpe de vista?

E se o universo inteiro estiver dentro de uma bolha de sabão nas mãos de uma menina resfriada num parque de diversões em Nova Deli?
E se a menina espirrar?

E se nós formos as formigas e elas forem nós? E por uma distorção de percepção a gente acha que somos elas e elas acham que somos nós?
Quem foi o inseto que pegou o pedaço de folha que estava aqui na minha colônia?

E se todo o Cosmos estiver dentro do dedo desaparecido do Lula?
E se Lula for Deus?

E se o tempo, na verdade, anda de trás para frente? E nós vamos desaprendendo tudo a cada dia até virarmos nenéns, e entrarmos no ventre de nossas mães, que entram no ventre de nossas avós até chegarmos todos à ameba primordial?

E se todo mundo que passa por nós na rua for apenas figurantes contratados por alguém que quer que achemos que vivemos num mundo de verdade?

E se o mundo já tiver acabado? E se não tiver nem começado?

E se a vacina de varíola for um implante alienígena?

E se Deus fizer copy and paste, e tiver um monte de outros eus pensando besteira em universos paralelos?
E se ele for o copy e eu for o paste?
E se ele gostar de pagode?

E se todos os livros, filmes, blogs e pinturas, forem em branco. Nada. Ou letras sem sentido. E as histórias sejam apenas coisas que formamos nas nossas cabeças. Lemos apenas o que queremos ler?

E se esse texto não existir?

Com tantas incertezas, a mais provável forma para abrigar nosso universo é mesmo a bolha de sabão. Sei lá porque. Toda bolha de sabão parece que tem um universo dentro. É mais provável que estejamos dentro duma bolha do que dentro do dedo do Lula ou do tênis kichute velho que eu usava na casa de minha avó.

Só incertezas. De qualquer forma, recomendo fortemente que você tome cuidado com bolhas de sabão.



14 março, 2005  

Do Pointcast ao RSS: o jogo de empurra da internet

Leitores mais observadores notaram as pequenas mudanças de lay-out (pra pior, como sempre) desta página e o aparecimento de um colorido e destoante ícone do Blogger no pé da página. Recentemente migrei o sistema do Brogue para este que é o mais famoso dos sistemas blogueiros da internet.

Adotei o pai-de-todos-os-tamagotshzeiros por insistência do amigo e blogueiro profissional Leonardo Paiva (
www.lpaiva.jor.br/ock-tock/). Entre diversas funcionalidades bacaninhas, uma que chamou minha atenção foi a integração rápida e simples com o RSS, sigla para Rich Site Summary ou Real Simple Syndication. Traduzindo, Sumário Rico para Sites ou Distribuição Realmente Simples.

O RSS é uma ferramenta, por assim dizer, que permite espalhar notícias ou posts de blogs rapidamente pela Web. Daí, os avisos de atualizações e novos conteúdos podem ser inseridos em qualquer página da internet facilmente. Ou ainda serem digeridos e exibidos pelos chamados Leitores de RSS, programas que ficam constantemente obtendo os feeds RSS dos sites selecionados e exibindo todo o conteúdo numa interface única. Se você se interessar por alguma matéria, basta clicar e o navegador carrega a página escolhida direto no site da fonte. Simples assim.

O interessante é que o RSS (baseado em outra sigla estranha, o XML, variante do HTML que permite a rápida troca de informações entre sites) é anunciado pelos veículos mais nerds e antenados da galáxia como a grande revolução na forma como se distribui informação desde o Geocities (páginas pessoais) e o Blogger (blogs, ou diários virtuais).

Só que muita gente se esquece que a idéia de reunir provedores de informação de um lado e leitores do outro, e empurrar o conteúdo dos provedores para os leitores não é nada nova. Ora, pra começar toda a mídia eletrônica tradicional é assim. TVs empurram Ratinhos e Hebes goela adentro. Rádios nos entubam o Show do Antônio Carlos.

Na internet também foi assim. Em 1996 surgiu um sistema chamado Push (empurre), cujo ícone maior era o programa Pointcast. A premissa era simples. Você escolhia os provedores de conteúdo de sua preferência e, de tempos em tempos o Pointcast pegava as informações mais recentes e as empurrava para você. Browser pra quê?

Surgia a navegação passiva, a Web de assistir. A idéia parecia realmente boa, o Pointcast teve milhões de downloads, passou a valer alguns milhões de dólares e os urubus de plantão anunciavam a morte da internet como a conhecíamos. O que aconteceu cerca de um ano depois? O Pointcast foi pro saco.

A causa da rápida ascensão e queda do império pointcástico foi simples: ele estava muito à frente de seu tempo. Em primeiro lugar, interfaces abertas e democráticas para a troca de conteúdo, como o XML, não existiam. Em segundo, o motivo mais grave. Ora, se a idéia é que nós podemos ficar parados e o programa pega o conteúdo para a gente, o ideal é que não façamos nada mesmo, certo? Como fazer isso se, em 1996, conexões em banda larga eram um sonho distante?

A experiência era sempre meio esquisita. Nos conectávamos à internet, abríamos o (pesado) programa do Pointcast e esperávamos ele sincronizar os canais que havíamos assinado. O resultado é que teria sido mais rápido e divertido abrir o Netscape (um navegador antigo. Não é do seu tempo) e pegarmos nós mesmo o conteúdo desejado. Tivesse surgido uns 10 anos depois, quem sabe o Pointcast teria dado certo? Quem sabe ele não teria o nome de RSS?

Para colocar o conteúdo do brogue no seu site, ou em seu leitor de RSS, basta apontar para o link
http://www.cassano.com.br/brogue/brogue.xml .



11 março, 2005  

Fui hackeado!

É verdade, caros leitores. Nosso Brogue está definitivamente entre os grandes sites da internet mundial. Mais indispensável que a Veja, mais interessante que a Super. Na semana passada, apareceu um post bizarro por aqui, vendendo o medicamento Xanax (ou coisa parecida).

Desde logo preciso dizer que, até onde eu sei, nunca fui representante de qualquer farmacêutica ou mesmo de muambeiros. Logo, não poderia ter sido eu o autor da propaganda invasora.

A porta para o ataque foi minha opção em não usar o Blogger (ou similares), e sim um velho CGI de livros de visita (guestbook) como base do Brogue (
Clique aqui para ler o primeiro post). Pelo visto, o tal revendedor de Xanax tem um robô que vasculha a Web em busca de scripts CGIs como o meu, e sai postando automaticamente suas propagandas.

Resultado: aposentei o CGI e voltei ao bom e velho editor de HTML para editar os textos. O problema não deve se repetir, mas se você se deparar aqui com algum texto ruim, com erros de ortografia, equivocado ou chato, não tenha dúvidas: sou inocente. Foi algum hacker...



04 março, 2005  

Hmmm... sei lá. Mil coisas.

Raios. Já tem quase uma semana desde a última atualização e não me vem idéia alguma à cabeça. Pensei em homenagear o aniversário do Rio de Janeiro, falando mal de São Paulo, lugar estranho onde os restaurantes servem babadores para quem for comer macarrão.

Pensei também em voltar ainda mais no tempo e me lembrar dos primeiros computadores que tive. Um MC 1000 da CCE (com teclinhas de borracha tipo chiclete e joguinhos em fita cassete que só vendiam no Boulevard da 28 de Setembro, em Vila Isabel). Depois veio um CP-400 da Prológica, chiquérrimo e, enfim, o maravilhoso MSX. Daí foi para o universo numérico dos PCs, começando por um 286 com tela preta e âmbar.

Hmmm. Sei não. Não sei o que escrever e noto que meu tamagotshi já reclama de fome, está murchinho num canto. Não sei se é falta de comida, de atenção ou de livros. Pensei em repercutir a volta do Super 11, aquele mesmo de que falei algumas semanas atrás. Ele voltou, acreditem! Utilizando a rede do provedor gratuito POP, da GVT, ele promete não só dar acesso gratuito como pagar aos usuários que ficarem pendurados nele. Tipo assim: você se conecta. Abre o Morango (ou o site de popozudas de sua preferência) e fica lá. Pela primeira vez na vida, alguém vai te pagar para ver mulher pelada. Não sei quanto a vocês, mas eu não investiria meus ricos reaiszinhos nesta iniciativa.

Também poderia falar sobre qualquer coisa, afinal isso aqui é um blog. Alguém está interessado numa resenha de Supremacia Bourne? Ou em conhecer o fantástico
Darth Tater, o Darth Vader cabeça de batata? (Mais no blog do Ock-Tock).

Poderia falar sobre o Severino Cavalcanti ou engrossar o coro do Fora Rosinha (não desistam, companheiros!). Ou até mesmo falar sobre o dia em que o Canal Web conseguiu furos de reportagem entrevistando políticos no enterro de Mário Covas, data em que Esperidião Amim soltou a pérola: “Software em Santa Catarina? Rapaz, nós temos mais software que pão!”.

Bom... desisto. Amanhã penso em algo melhor.




01 março, 2005  

Os brilhantes textos de fevereiro/2005!

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